sábado, 10 de janeiro de 2026

É o óbvio

O futebol brasileiro está acordando para a realidade de que os campeonatos estaduais são, na verdade, torneios de pré-temporada.

Antigamente, há 30-40 anos, fazia sentido toda a pompa e circunstância que os estaduais tinham. No entanto, com as medidas legais que tornaram o futebol brasileiro mais próximo da profissionalização efetiva do que de um cabaré de mãe Joana (que me perdoem os cabarés e as mães Joanas, que certamente sempre foram muito mais organizados do que o futebol brasileiro de viradas de mesa e punições de "justiça desportiva" que dependem da representatividade do possível apenado), os torneios dos donos das federações desafiam a lógica da razoabilidade. 

Ora, clubes tidos como profissionais precisam se submeter a jogar contra clubes de verão em campos que nem merecem ser assim chamados apenas para assegurar o prestígio dos donos da bola estadual.

Ou são empurrados 300 clássicos estaduais goela abaixo em pouco mais de 60 dias para tentar ressuscitar médias pífias nas arquibancadas (dinheiro não anda fácil e cada pessoa da torcida sabe muito bem o que vale e o que não vale o esforço de consumo num orçamento cada vez mais apertado).

Isso tudo sem a preparação adequada, com jogadores chegando toda semana e outros tanto se lesionando ainda na pré-temporada. 

Força-se peso no que é apenas um aperitivo, longe da sustância e do sabor de um prato principal.

Estaduais não fazem sentido como são organizados hoje. Deveriam ter fase inicial apenas com clubes sem calendário nacional para que os outros que têm calendário pudessem ter preparação (física, finaceira...) adequada. 

Aliás, estaduais deveriam ser disputados apenas por clubes em busca de vaga na última divisão do Brasileiro. Os outros fariam um torneio de preparação para temporada nacional com jogos entre si com datas posteriores ao estadual, ou pelo menos mais à frente do início dele, e no máximo com campeão e vice dos estaduais.

A CBF, as emissoras, os próprios clubes sabem disso. Tanto que o calendário nacional cada vez mais aperta o prazo para essa excrescência brasileira. Só mesmo a politicagem insiste em forçar a manutenção desses torneios como são hoje.

Isso é tão real que já não sou apenas eu que falo o óbvio. Na semana passada, Ranielle Ribeiro, técnico do América, falou em estadual como fase da pré-temporada. Hoje é a Folha de S.Paulo que traz reportagem a respeito dessa mesma realidade, pasmem, em relação ao mais disputado torneio estadual do país - o Paulistão (imagem e link abaixo).



Então, em vez de exigir queda de treinador depois de jogos mais ou menos do estadual, tente usar a lógica e dar ao estadual o peso que ele tem: um torneio de pré-temporada, de treinos de luxo (já que tem jogos oficiais), com altos e baixos normais de toda fase de preparação, visando o que realmente importa no ano. Interromper uma preparação, jogando tudo no lixo após 5-6 rodadas, é ter que partir muito próximo do zero para os campeonatos que realmente importam. E, que me perdoem os saudosistas dos estaduais, mas ninguém aguenta mais Séries D e C. 

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