sexta-feira, 18 de junho de 2021

Refúgio



Perdi as contas de quantas pessoas me indicaram ao longo dos anos a série da Netflix Anne with an E. E eu, como sempre, empurrando mais uma indicação para a minha interminável lista de obras para assistir.

Agora não mais. Nesta pandemia eu consegui dar andamento a essa lista e na semana passada eu terminei as 3 temporadas dessa série que é um absoluto refúgio da mente para tempos em que as relações pessoais eram baseadas apenas em amor pela pessoa próxima.

A obra é de época, passada no fim do Século 19 no Canadá, mas não deixa de abordar fatos que ocorreram à epoca, como o sequestro pelo Estado de crianças indígenas, e temas atuais, como o direito das mulheres de serem pessoas completas, sem as amarras que a visão machista ainda insiste em atar, dentre outras questões tão importantes discutidas com muita sensibilidade ao longo dos 30 episódios que acompanham as aventuras da órfã Anne que usa seu amor pelos livros e sua imaginação sem limites para lidar com as agruras da vida.

É impossível não se apaixonar por Anne e por todas as relações que ela constroi a partir da sua adoção pelos irmãos já idosos Marilla e Mathew.

Sempre que a carga do mundo real estava mais pesada do que o normal, Anne with an E me ofereceu aconchego. Uma pena que a série tenha sido interrompida com apenas 3 temporadas. Até hoje fãs choram por essa descontinuidade. E com razão.

Sempre vale a pena



Levei muitos anos para concluir a leitura de Les Misérables, de Victor Hugo. Tenho impressão de que já contei isso em outra postagem. 

Gosto de ler no original, ciente de que as obras sofrem na tradução. Dizem que Dom Casmurro, obra em português mais traduzida (ainda é?) para outras línguas no mundo, sofre muito com isso, com a pessoa que traduz sempre se posicionando sobre a traição de Capitu. 

O problema é que meu francês é ridiculamente parco, somente aguentando algumas passagens em obras de Direito, muito longe de uma leitura fluente como naturalmente ocorre para mim em português e inglês. 

A primeira vez que a obra chegou às minha mãos - acho que foi há uns 10 anos - chegou em inglês. Li muito entusiasmada. Que decepção ao chegar ao final do livro e descobrir que se tratava apenas de parte da estória, que fora dividida em volumes. Foram mais de 500 páginas para terminar com tudo sem solução.

Muitos anos depois tive a sorte de ser presenteada com o volume completo. De novo, sem minha interferência, a obra veio em inglês, o que me deixou muito a par das diferenças que cada pessoa que traduz impõe à obra. A primeira era marcada por longas notas de rodapé explicando a escolha pela tradução de determinado termo do francês para o inglês, línguas não oriundas da mesma fonte. A segunda resolveu até alterar a ordem de capítulos e suprimir algumas passagens consideradas supérfluas para um volume único de mais de 1.200 páginas. Ou seja, elas são a prova cabal da necessidade de ler as obras no original imaginado por quem a escreveu.

De todo jeito, é preciso preparação para enfrentar Les Misérables. A estória é interrompida muitas vezes, sem cerimônia, para fazer enormes flashbacks de personagens nem sempre tão importantes para a trama ou mesmo para explicar determinadas características da paisagem de Paris ou da França em geral. 

Além da jornada de Jean Valjean e dos que lhe cruzam o caminho, teremos belos retratos da movimentação política na França antes, durante e após a Revolução Francesa, detalhes da Batalha de Waterloo, muito fatos reais, retratos quase fotográficos do sistema de esgoto de Paris, manifestos sobre sociedade, política, filosofia, religião... Enfim, Victor Hugo quase transformou sua obra numa pequena enciclopédia de uma sociedade em particular no Século 19, mas que tão bem reflete os desafios que nos assolam em pleno Século 21.

Em português, a obra ganhou um título traduzido ao pé da letra - Os Miseráveis - assim como filmes e musicais, que são apenas uma pontinha do iceberg que Victor Hugo pôs no mundo. Se nunca leu, é melhor se organizar para abrir essa porteira para um outro tempo. Principalmente para quem não gosta de História, Victor Hugo deixou quase um diagnóstico do mundo de hoje como reflexo de outras épocas. Indispensável.

Manchetes do dia (18/6)

A manchete do bem: Câmara dos EUA aprova fim de autorização dada aos presidentes para declarações de guerra.

As outras: De 'Bob Esponja' a 'Scooby Doo', gays estão saindo do armário em desenhos na TV, Desmatamento e mudança climática agravam crise hídrica, dizem especialistas e PF aposta em cooperação com Canadá para avançar em investigação sobre bolsonarista.

Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (6/18)

The headline for good: A pill to treat Covid-19? The U.S. is betting on it.

The others: Supreme Court backs catholic agency in case on gay rights and foster care, Affordable Care Act survives latest Supreme Court challenge, and Climate change batters the West before Summer even begins.

Good morning.

Source: The New York Times

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Manchetes do dia (17/6)

A manchete do bem: Contra Covid, cidades de SP criam lockdwon noturno e passaporte para circulação.

As outras: Farmacêutica diz que faturou 8 vezes mais com kit Covid, STF decide que funcionários de estatais não podem permanecer no trabalho após aposentadoria e Câmara aprova mudança às pressas em lei da improbidade, e projeto segue para Senado.

Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (6/17)

The headline for good: Title IX protections extend to transgender students, Education Dept. says.

The others: House passes bill to make Juneteenth a federal holiday, sending it to Biden, Scholarly groups condenm laws limiting teaching on race, and China denies radiation leak at reactor but admits fuel rod damage.

Good morning.

Source: The New York Times

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Top 10 da Netflix

Estas são as obras disponíveis na Netflix mais assistidas pelo público brasileiro hoje.
  1. Lupin (Série, 2021, 16 anos, 2 partes)
  2. Sweet Tooth (Série, 2021, 14 anos, 8 episódios)
  3. Din e o Dragão Genial (Filme, 2021, 10 anos, 1h43)
  4. Lucifer (Série, 2016, 16 anos, 5 temporadas)
  5. Chiquititas (Série, 2013, Livre, 545 episódios)
  6. Awake (Filme, 2021, 16 anos, 1h37)
  7. As Aventuras de Poliana (Série, 2018, 10 anos, 564 episódios)
  8. Máquinas Mortais (Filme, 2018, 14 anos, 2h08)
  9. Uma Skatista Radical (Filme, 2021, 10 anos, 1h50)
  10. Patrulha Canina (Série, 2013, Livre, 3 temporadas)

Livre TV

Numa gentileza enorme do grande Eron Santa Rosa, a postagem que fiz no domingo sobre Campinense 3x0 América (Sem alma) foi compartilhada ao vivo com os telespectadores da Livre TV.

Quem não conseguiu conferir o programa na hora, pode dar uma olhadinha no vídeo abaixo. E quem quiser conferir especificamente o trecho, é só avançar para 1h16m59s. 


Por um futuro já

Machucada como nunca, a torcida do América está, com razão, muitíssimo ressabiada com o elenco atual e a diretoria, mesmo sendo gente com histórico de sucesso dentro de campo.

É que esse filme parece demais com os anteriores. Troca-se tudo porque o clube se enfiou numa crise de resultados e financeira e é a torcida que mais uma vez precisa carregar o clube nas costas, logo ela, sempre tão maltratada em todos os outros momentos.

Para piorar, o conselho deliberativo do clube resolveu não discutir qualquer alteração no estatuto do clube para não dar vez ao voto para sócias(os) torcedoras(es). Escolheu-se um novo estatuto quase no uni-duni-tê (quase, porque o escolhido dentre os projetos foi justamente o único que vetava o voto para esta categoria de pessoas associadas).

A crise varre as estruturas do clube como nunca antes pelo que me parece. Nunca o número de pessoas associadas foi tão baixo, reflexo da campanha inflamada (e com razão) da torcida #SemVotoSemSócio, turbinada por uma pandemia descontrolada que impede público nos estádios há mais de ano.

A luta de Alex Padang, Clovis Emídio, Hermano Moraes e Paulinho Freire, todos a favor da inclusão do voto para a torcida associada, tem sido encampada em dois pontos, pelo que afirmam: possibilitar as condições para que o América enfim se torne democrático com as devidas discussões e o trâmite esperado para a fundamental e almejada mudança, com conclusão esperada para 2022, e colocar em campo, já nesta Série D, um time/elenco empenhado em resgatar a alma que se esvaiu completamente contra o Campinense no último domingo.

É fato que ninguém aguenta mais ilusão. Ninguém aguenta mais ser chamado para financiar um projeto que parece ser definitivo, mas que vai se encaminhar para afastar ainda mais a torcida. 

No entanto, eu preciso apontar pelo menos 2 bons sinais advindos de atitudes, não de palavras, desse grupo. O primeiro deles é o fato de, aos pouquinhos, conversarem com algumas pessoas da torcida, sejam membros das imprevisíveis torcidas organizadas, sejam torcedoras(es) independentes, para explicar a situação atual e tudo o que pretendem fazer para a saída da crise atual política e financeira, inclusive ouvindo críticas e sugestões com respostas imediatas de forma franca.

O segundo sinal foi a dispensa, ainda não confirmada pelo América, mas já divulgada pela imprensa, como o jornalista Augusto César Gomes, dos jogadores Romarinho e Everton Silva, titulares absolutos que claramente desaprenderam a jogar futebol com a camisa do América. Há aqui um recado claro e muitíssimo necessário pelo que se viu no último jogo ao restante do grupo, especialmente na semana em que um clássico será disputado pelo Campeonato Brasileiro.

O América está sufocado financeiramente por obra e graça de qualquer pessoa, menos da torcida. Quem discordar disso não pode estar bem da cabeça. E a pandemia está se encarregando de dar o tiro de misericórdia num clube que mal consegue manter os olhinhos de fora d'água. 

Há de novo, mais uma vez, novamente, um apelo para aquela que SEMPRE carregou o clube nas costas nas situações boas e PRINCIPALMENTE nas situações ruins. Só que ela agora exige um reconhecimento de que as coisas TÊM que mudar. A mudança urge e arrasta cada vez mais gente para lutar por sua concretização. Terá ela a velocidade necessária para reaproximar a torcida antes que a vaca vá de vez para o brejo? Impossível, já que eleição para o conselho deliberativo, onde a mudança será implantada, só ocorre em outubro. Até lá, o destino do América em 2022 pode ter sido selado como muito sombrio, sem série, uma vez que a primeira fase da Série D acaba na primeira semana de setembro. Enfim, é uma verdadeira sinuca de bico.

Não acho que a torcida deva abandonar sua campanha por mudança. Está bem claro que as coisas enfim estão sendo encaminhadas politicamente para onde todas as pessoas que amam o América e projetam sua existência por muitos mais anos para frente querem. É só observar com atenção. A velocidade não é a desejada, mas é a possível. A questão agora é ajustar a campanha com a realidade crítica do clube.

Sugiro que pensem dirigentes e torcedoras(es), especialmente aquelas pessoas que de fato estão empenhadas na campanha #SemVotoSemSócio, em uma forma da torcida abraçar financeiramente o clube nesta Série D sem abdicar do seu movimento, pelo contrário, dando mais voz a ele. E que haja a mais absoluta transparência a respeito da movimentação política no clube para que esses ventos enfim soprem no América. Porque ninguém aguenta mais viver no presente com um olho nostálgico para o passado e agora ainda mais com medo do futuro nem chegar para o Orgulho do RN.  

Manchetes do dia (16/6)

A manchete do bem: Marcas apostam em embalagens que se decompõem em até dois meses.

As outras: Empresários apostam no mercado da cânabis em meio a debate legal, Bolsonaro prevê mais duas ou três parcelas de auxílio e novo Bolsa Família de R$ 300 em dezembro e Governo Bolsonaro baixou artificialmente rombo futuro da previdência militar, diz TCU.

Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo