domingo, 8 de novembro de 2020

Bem diferente



Filmado em preto e branco com câmera trêmula, The Forty-Year-Old Version é lançamento da Netflix que atira no que vê e acerta no que não vê.

O filme escrito, dirigido e estrelado por Radha Blank aponta para a perspectiva dos negros, especialmente da mulher negra, e acerta profundamente além, com a crise de identidade de uma artista na meia idade após a morte de sua mãe.

Não sou fã de comédias, mas esse estilo de comédia dramática, ou comédia da vida real, ou agruras e alegrias da vida de cada um normalmente me atraem e recebi até mais do que esperava com a recomendação do algoritmo da Netflix. 

O mundo retratado por Radha costuma não ser mostrado com tanta verdade em nossas telas, daí o título desta postagem. E o final não decepciona.

Desconectar é preciso

2020, mesmo ainda não tendo chegado ao fim, testou todos os limites do ser humano. Fomos trancados em casa e só saímos com máscaras,  perdemos pessoas queridas, saúde, emprego, renda e, em muitos momentos, a esperança de viver. 

O contato social, presencial, foi perigosamente substituído pelo convívio digital. Os níveis de ansiedade e estresse chegaram a um ponto talvez jamais experimentado pela maioria de nós. Os danos são indiscutíveis, embora nem tenhamos ainda ideia precisa de sua extensão.

No meio de tudo isso, uma polarização intolerante que vem de antes, mas foi aumentada exponencialmente pelo ambiente de incerteza de uma pandemia e uma eleição desgastante sob todos os aspectos na maior potência do mundo.

O sentimento que parece ser coletivo é o de exaustão. Estamos exaustos, esgotados. Tememos o que não sabemos e esperamos o que não temos certeza se virá. Estamos à beira de um colapso como indivíduos.

A cada postagem no Twitter ou no Facebook, a renovação dos processos de alerta/defesa. Não há relato médico ou científico de que isso seja em alguma medida saudável ou pelo menos sustentável.

De vez em quando, ouço/leio o mesmo lamento: estou cansado (a) das redes sociais. É tão somente a constatação dos prejuízos causados à nossa saúde por essa exposição exarcebada a julgamentos. 

Sim, julgamos e somos julgados a cada renovação da timeline, ainda que opiniões sejam livres e possam mudar ao sabor dos ventos. Queremos um mundo de concordância e levamos a discordância como ataque pessoal. Viramos gladiadores sempre a postos para lutar. Isso não pode fazer bem a indivíduo algum. Não mesmo.

2020 pode ser o ano em que passaremos a enxergar que há muito mais a viver do que checar indefinidamente timelines. Ou talvez 2021, quando enfim retomarmos um curso mais apropriado em nossas vidas. É possível que voltemos a valorizar o real, o palpável, não a representação, a foto, a filmagem, o virtual.

Até lá é respirar, inspirar e relaxar. Evitar embarcar em arenas de gladiadores de opinião é mais do que necessário. Deixar de lado o celular em troca de atividades de lazer descompromissadas, como não fazer nada, ou ler um livro de literatura, ouvir uma música por ouvir, ou jogar um jogo de tabuleiro, rir da piada de um amigo ou parente, brincar com os pais, os filhos, os pets, observar a natureza sem hora marcada. 

Nossas mentes clamam por um refúgio desse ambiente combativo ao extremo. Respirar, inspirar, relaxar. Vamos em busca da tranquilidade perdida antes que seja tarde demais. Por nós e pelos outros. Pela vida.

P.S.: este texto foi originalmente construído com uso de papel e caneta.

Manchetes do dia (8/11)

A manchete do bem: Em discurso da vitória, Biden prega cura da alma dos EUA.

As outras: Mulheres que denunciam abusos relatam descaso e machismo da Justiça, Home office elimina fronteiras e pode ser nova estratégia de crescimento e Dérbi feminino decide finalista do Brasileiro e simboliza transformação.

Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (11/8)

The headline for good: Biden beats Trump. Harris is the first woman elected vice president.

The others: In first speech, Biden urges end to 'grim era of demonization in America', Biden's team prepares plan to fight virus as cases surge, and Steve Bannon loses lawyer after suggesting beheading of Fauci.

Good morning.

Source: The New York Times

sábado, 7 de novembro de 2020

7, 8, 9 e 10

Da série "curiosidades", os gols do América na goleada que garantiu a classificação antecipada para a próxima fase foram marcados pelos camisas 7, 8, 9 e 10 do time. E só foi nessa sequência porque o 10 marcou logo após o 7.

Mas Augusto, Dione, Romarinho e Wallace Pernambucano organizaram os gols em ordem alfabética. O "professor" Paulinho Kobayashi certamente aprovou.


(Imagens: Canindé Pereira, América)


A comemoração

E as lentes de Canindé Pereira captaram a comemoração dos jogadores na goleada em Pernambuco.









(Imagens: Canindé Pereira, América)


Classificado

Sem grandes dificuldades e com Everton Silva na direita, o América venceu o Afogados em Pernambuco e abriu uma vantagem de impressionantes 13 pontos para o 5.° colocado, o que lhe garante a classificação para a próxima fase com 3 rodadas de antecedência.

Sobre o jogo, para variar, ninguém pôde ver o gol de Augusto, o atacante que volta para defender, faz falta tática, volta para armar o jogo e ainda deixa o dele jogo sim, jogo não. 

O gol seguinte, de Dione, que hoje virou Diones, e não Johnny, foi fruto absoluto de bela jogada do mesmo Augusto em busca da linha de fundo já na grande área. Pênalti tão indiscutível que nem quem o cometeu reclamou. 

O América seguiu à vontade com Wallace Pernambucano também em grande atuação (Dione também) e merecia até ter ampliado o placar ainda no 1.° tempo.

No 2.° tempo, um novo ímpeto do Afogados encontrou um América já com a velha tendência de não mais sair tocando a bola com calma. Alguns jogadores foram cansando e o time da casa começou a querer botar as manguinhas de fora. 

Numa cobrança de falta, Romarinho levantou para a área também na direção do gol e, como ninguém desviou, marcou o 3.°. Aliás como casou bem a dupla Felipe Guedes e Romarinho! Não canso de dizer. E lembrar que havia uma reclamação meio que generalizada no início do ano a respeito da escalação de Romarinho como volante. Paulinho Kobayashi, que foi atacante, meia e volante de excelente qualidade, sabe bem a importância para um time de ter jogadores de bom passe na marcação. Imagine aí se esses jogadores têm bom chute de fora da área...

Por falar nisso, Dione começa a pedir passagem no time titular. Tem uma cobrança de falta que está saindo na medida, coisa importantíssima para vencer qualquer jogo, mas especialmente em fase eliminatória. 

Das substituições, uma em especial segue sem render o esperado: Dico. O atacante que chegou com status de titular tem conseguido render menos do que jovem Luiz Eduardo, ainda em busca de confirmar seu potencial.

Hoje tivemos a entrada de Alisson Brand e de André Krobel, este já perto do fim do jogo, o que me impediu de observar como gostaria a formação com 3 zagueiros que pode vir a ser a opção correta para quando André Krobel for o titular na lateral direita, para jogar como ala na verdade.

Já no fim do jogo, os já esgotados Augusto e Wallace Pernambucano trocaram cruzamentos e o camisa 9 fez também um belo gol, coroando sua grande atuação. 

Ainda preocupa o desarranjo na saída de bola do América no 2.° tempo. É certo que o desempenho mais alucinante no 1.° tempo pode contribuir para tanto, mas exatamente por isso é preciso acalmar o ritmo na etapa final com bola de pé em pé. O intervalo de uma semana para a próxima partida pode ser fundamental para essa correção do que vem se repetindo no 2.° tempo.

No mais, há tempo também para que o elenco todo seja experimentado em situação de jogo, sem mudanças muito radicais, mas já de olho em estratégias mais à frente. Que assim seja.

P.S.: Já no fim deste texto recebo a notícia que Dione trocou o América pelo Sampaio Correia. Com a contusão de Rondinelly e a saída dele, que agarrou bem a camisa 10, é preciso abrir o olho para os necessários reforços para a próxima etapa, especialmente agora de um meia.

Joe Biden em Natal

Pouca gente lembra disso, mas o democrata Joe Biden, que lidera a corrida presidencial americana, já esteve em Natal. 

Foi em 16 de junho 2014, durante a Copa do Mundo, que o então vice presidente dos EUA veio conferir na Arena das Dunas Gana 1x2 Estados Unidos, que teve o gol mais rápido daquela copa (vídeo abaixo), um dos tantos feitos que marcaram Natal para o mundo.

O gol foi aos 30 segundos e Biden nem chegou a ver o recorde de Clint Dempsey porque, por razões de segurança, chegou ao camarote já com o jogo em andamento. 


Podcast: Nada razoável

Eleição americana desafia a lógica do mundo atual. 











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Podcast: Faltam 4

Faltam apenas 4 rodadas para o fim da fase de grupos da Série D. 









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