Há quem goste tanto de sertanejo como de show na Arena das Dunas. Afinal, há gosto para tudo nesta vida.
Vou falar primeiro sobre shows na Arena das Dunas. Do lado de dentro, são sempre um desafio acústico. Ou agridem os ouvidos, ou ninguém entende nada do que está sendo cantado. Isso quando não acontecem as duas coisas. Pouquíssimas experiências que vivi ali não caem numa das duas realidades - não enchem uma mão.
Sobre sertanejo, foi-se o tempo de alguma letra significativa. Esse negócio que chamam sertanejo universitário é recheado de letras e melodias com uma visão de mundo tão patriarcal e chorosa que chega a ser agoniante.
Pior é ter um espaço que deveria ser dedicado ao esporte, já maculado com o batismo como local de apostas, obrigar um jogo de ótimo nível marcado (América x Fortaleza), de um competição de verdade (Copa do Nordeste), a ser disputado em outro estado (Paraíba) por uma apresentação de uns tais Henrique e Juliano (desculpem, não conheço uma música; devem ser bons no que fazem; soube pela imprensa que são representantes do sertanejo).
E é no mesmo dia? Não. Simplesmente cismaram que precisariam de 10 dias para colocar de pé a estrutura para tal show. Seria um parque de diversões com show na roda gigante? Ou vão construir alguma estrutura de alvenaria na Arena? 9 dias não seriam suficientes?
Engraçado que parece que tem mandatário da federação local na organização da Copa do Nordeste, que hoje respira por aparelhos. Depois da patacoada da canetada que causou prejuízo ao torneio local, agora a patacoada da não antecipação de um único dia de uma partida importante - a d melhor nível neste primeiro quadrimestre do ano até aqui - obrigando América e Fortaleza a aumentarem seus deslocamentos, mexerem na logística de voos e hospedagem por causa da transferência para outro estado, o que certamente vai diminuir o público presente.
Henrique e Juliano, a Arena das Dunas e a própria CBF (com o pessoal responsável pela Copa do Nordeste) expulsaram América x Fortaleza de Natal rumo à João Pessoa em plena quinta-feira, 16/4, às 19h. É uma coisa tão ridícula e tão fácil de resolver para o jogo ser aqui mesmo, mas ninguém quis. Todo mundo estava mais preocupado com outras coisas, menos com o futebol e a desportividade.
Ficou a casa de apostas com o sertanejo e uma preparação de longos 10 dias (Seria, na verdade, um show de estrutura vinda do exterior, como Madonna, BLACKPINK, Lady Gaga?). Ficou a CBF com sua sagrada grade de transmissão que não podia ter o mesmo jogo um mísero dia antes. Ficou a torcida mandante punida sem nada haver feito tendo que ver seu time jogar a mais de 180 quilômetros de Natal. Ficaram os clubes com mais gasto de tempo e dinheiro.
Parece que fizeram uma parceria público-privada para um estádio de FUTEBOL, sustentada com dinheiro público, para enterrar de vez o futebol daqui. É mole?
Não lembro onde disse, mas o assunto, resumido em duas linhas, foi esse: - A derrubada do "João Machado" para a construção da "arena" tinha como prioridade o futebol... Neste caso não levaram em consideração as tabelas das competições oficiais "organizadas" pela FNF e CBF.
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