Há tempos não comento mais sobre a seleção masculina de futebol porque a desgraça meio que anunciada de 2014 persiste ao longo dos anos com times mais dependentes de algum talento (em falta com força!) individual do que sentido de coletividade.
Mas depois de uma péssima estreia do Brasil contra Marrocos, parece que o técnico Carlo Ancelotti conseguiu incutir coletividade ao time brasileiro, ainda que boa parte da imprensa esportiva, não se sabe se por pouco conhecimento ou se por se aproveitar de pouco conhecimento, insiste na tecla de que a salvação sairia dos pés de um único (ex) jogador ainda em atividade. Seja em campo, seja em entrevistas, é perceptível que a força desse Brasil parece sair mesmo da coletividade, enfim, uma boa notícia para quem gosta mesmo de futebol.
No duríssimo jogo contra o Japão, é bem verdade que Vini Jr. partiu para assumir a responsabilidade de comandar uma reação brasileira pós-intervalo, mas só isso jamais explicaria a mudança de placar. Se no 1.º tempo, o técnico japonês acertou o esquema após a pausa (criticadíssima) de hidratação, o italiano do Brasil usou o intervalo para determinar que Vini Jr. e Rayan jogassem mais abertos, como pontas, com cruzamentos sendo feitos mais na diagonal, o que serviu para desorientar o suficiente a boa marcação do Japão.
Quem quiser se dar o trabalho de assistir ao jogo novamente vai ver como o Brasil era improdutivo na insistência do jogo de pé em pé pelo meio, facilitando inclusive as puxadas de contra-ataque de um Japão concentradíssimo em não deixar os brasileiros jogarem. Bastou abrir nas pontas para bons cruzamentos para que a coisa mudasse de figura.
Se Vini Jr. e Rayan acertaram o posicionamento, Bruno Guimarães surpreende com uma visão de jogo refinada para dar assistências. E tudo isso é fruto do olho do treinador, fazendo as correções necessárias numa geração que sofre sem meias de verdade e tirando da mesmice do individualismo "bota fulano que resolve" que afundou o futebol brasileiro como um todo.
Eu andava tão pessimista com os últimos acontecimentos da seleção masculina pré-Copa que só esperava, quando muito, que ela empatasse com os adversários, mas Carlo Ancelotti mostrou que trabalho bom leva tempo e o time tende a crescer nas horas decisivas quando existe confiança no processo. Ainda bem.
Está tudo perfeito? Não. A seleção agora é favorita? Não. Mas pelo menos já consigo ver um time que não vai se entregar facilmente a adversário nenhum e que acredita no processo. Só isso já é de alegrar qualquer descrente desde 2014. Que siga a luta!
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