terça-feira, 12 de outubro de 2021

Ali do lado

Depois de quase 2 anos sem frequentar um restaurante, criamos coragem de ir ao Camarão do Olavo em Nísia Floresta. Antes disso, enfrentamos a fila do drive-thru do Via Direta para que mamãe recebesse sua 3.ª dose, o que, mais uma vez, me encheu de gratidão e satisfação por todo o esforço que fizemos e ela chegar a aquele momento sem qualquer contaminação nesta pandemia.

Voltar ao Camarão do Olavo, que é bem aberto e ventilado, com mesas afastadas e funcionários tudo gente boa, foi uma espécie de prêmio pela conquista, mas também um desafio para a defesa mental que nos impediu de fazer isso esse tempo todo. Não à toa, a minha cefaleia tensional deu às caras, ainda que de forma leve.

Sentamos à mesa preferida para recebermos ainda mais vento (sempre um desafio com os cabelos na hora da alimentação). Todas de máscara até o momento de começarmos a comer.

Do nosso lado uma mesa pequena com 4 pessoas e à frente dela uma outra enorme com muitas pessoas. Com um pouco mais de tempo para observação (nada de celular nesses momentos), foi possível verificar que era tudo um grupo só, sendo a mesa menor dedicada a mulheres que cuidavam dos filhos das famílias que ocuparam a mesa grande.

A impressão dessa segregação foi a pior possível. Não demorou para que eu percebesse que a mesa maior tinha um famoso deputado federal. Naquele momento, pensei na conta nada barata que restaria para a Câmara Federal "ressarcir". Nunca entendi por que o esquema público é voltado para o sustento completo de seus indíviduos, inclusive alimentação em restaurantes, restando o salário/vencimentos apenas para mero acúmulo, enquanto o restante da população é obrigada a se virar com o que recebe para pagar tudo, inclusive alimentação básica (feijão, arroz, ovo...).

Mas não é sobre isso que quero falar. Na verdade, só havia duas mulheres que cuidavam da ruma de meninas e meninos das famílias. E eram essas mulheres, para as quais não acharam espaço na mesa enorme, que deveriam ocupar sozinhas a outra mesa.

O danado é que afeto e afinidade não são impostos; formam-se natural e inesperadamente. Pois duas meninas  escolheram sentar com aquelas mulheres, que provavelmente eram muito mais parte de suas vidas do que o restante das pessoas. O detalhe ainda mais fofo é que uma das crianças tinha síndrome de down.

Não percebi se as mulheres chegaram a ser consultadas para a escolha da comida que iriam comer. O que chamou mesmo a nossa atenção foi a alegria que reinou nessa mesa ali do lado, entre as crianças e as mulheres. A risada era uma constante. 

Já na mesa maior, as crianças estavam cada uma entregues a um celular que as fazia quase que negar a realidade à sua volta. As expressões eram mais de angústia, mas não posso afirmar que eram apenas de angústia porque dois meninos estavam com as costas voltadas para nós. 

Deu uma tristeza de ver a cena. A sorte era que a mesa ao lado nos mantinha com fé de que as pessoas valem mais do que a realidade virtual.

Depois conversamos com uma das funcionárias e perguntamos pelo senhor das cocadas, que há muito não víamos. Conversador, ele adorava puxar papo conosco quando íamos a Goianinha ver os jogos do Mecão, ele também americano, aliás, quase todo mundo ali. Ela nos disse que ele havia deixado de vender cocadas com a pandemia e se mudado para a praia para se dedicar à pesca, uma outra paixão dele. Eu disse que tinha receio de que ele houvesse morrido nesta pandemia porque ele já apresentava sinais de diabetes mais avançada, mas ela nos tranquilizou dizendo que ele estava bem. 

Comentamos com ela sobre o fato de que aquela era a nossa primeira saída para restaurante nestes quase 2 anos e ela falou que havia muita gente que não entendia os cuidados necessários, mas que só quem passa pela doença na família é que sabe. Ela mesma perdera 3 pessoas, uma delas sendo a tia que ela via como segunda mãe. Sentimos muito. Ainda bem que parece que, com a vacinação e as demais medidas, estamos vencendo esta batalha, uma vez que o RN não registra mortes há 6 dias.

Na hora de pagar a conta, outro funcionário também veio bater papo conosco enquanto passava o cartão de crédito, sempre um momento de dor para quem paga suas próprias contas. O rumo da conversa agora era a única caipirinha da conta e o limite de consumo alcoólico. Rimos demais.

Demos tchau aos funcionários e partimos antes do pessoal das mesas ao lado. Mais uma etapa cumprida neste vendaval em que a vida se meteu. Que possamos mesmo recuperar a normalidade e a humanidade. 

Manchetes do dia (12/10)

A manchete do bem: 
  • CPI produz provas e alimenta 8 investigações de órgãos de controle antes mesmo de conclusão
As outras: 
  • Bia Haddad bate Pliskova e faz história no torneio de tênis de Indian Wells
  • Prevent Senior repete práticas nazistas e serve de alerta para o país
  • Porto congestionado nos EUA mostra como crise logística é novo normal
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (10/12)

The headline for good: 
  • After a long wait, the Boston Marathon returns as a fall classic
The others: 
  • Raiders coach resigns after homophobic and misogynistic emails
  • Police officer drags man by hair from car. 'I'm paraplegic,' he protests.
  • As e-scooters and e-bikes proliferate, safety challenges grow
Good morning.

Source: The New York Times

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Manchetes do dia (11/10)

A manchete do bem: 
  • Atos em favor da União Europeia reúnem 100 mil poloneses após crise com bloco
As outras: 
  • Denúncia sobre pesquisas com proxalutamida é das mais graves da história, afirma Unesco
  • Marcos Pontes diz que cortes na Ciência são equivocados e ilógicos
  • Mais de mil empresas levam carta sobre biodiversidade aos governos na COP15 nesta segunda
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (10/11)

The headline for good: 
  • The 40-year mistery of Smutty Smiff and the missing rockabilly bass
The others: 
  • A year after 'defund,' police departments get their money back
  • The rich have found another way to pay less tax
  • U.S. Navy engineer charged in attempt to sell nuclear submarine secrets
Good morning.

Source: The New York Times

domingo, 10 de outubro de 2021

Podcast: Comendo por estresse

Além de tudo, o estresse também nos leva a buscar conforto na comida.




Listen to "Comendo por estresse - Só Futebol? Não! com Raissa" on Spreaker.

Podcast: Olhos para ver

O confronto entre América e Campinense.









Listen to "Olhos para ver - Só Futebol? Não! com Raissa" on Spreaker.

Manchetes do dia (10/10)

A manchete do bem: 
  • Aos 90, estátua do Cristo consolida impacto no turismo, na arte e no cotidiano do Rio
As outras: 
  • Economia brasileira só retoma tendência pré-pandemia a partir de 2025, calcula FGV
  • Justiça de SP nega liberdade a mãe de 5 filhos que furtou miojo e refrigerante de mercado
  • Luísa Mell acusa ex-marido e diz qur violência não acabou quando saiu de casa
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (10/10)

The headline for good: 
  • Candidate for 'mayah' proudly leans into her Boston sound
The others:
  • Moderna, racing for profits, keeps Covid vaccine out of reach of poor
  • 'Starting a fire': U.S. and China enter dangerous territory over Taiwan
  • At Rwanda's favorite bars, forget the beer: milk is what's on tap
Good morning.

Source: The New York Times

sábado, 9 de outubro de 2021

Das duas, uma

América 0x0 Campinense foi uma lástima sob vários aspectos. A começar do que se viu nas arquibancadas. Quando a TV Brasil focava o público, não se via uma única pessoa de máscara. Nas redes sociais, jornalistas relatavam que o público pulava dos setores Norte e Sul para o Leste e vice-versa, sem qualquer intervenção da segurança da Arena das Dunas.

O jogo em si mostrou logo nos minutos iniciais que o Campinense era/é muito mais time do que o América, mesmo com ambos claramente priorizando o posicionamento mais recuado de boa parte de seus jogadores.

No caso do América, também não dava para imaginar muita coisa lá na frente com Mazinho e Max, que não jogava desde o longínquo julho. Ataque pesado, lento e sem criatividade para enfrentar uma defesa quase enfileirada na trave obviamente não produziu coisa alguma. As poucas boas chances foram do Campinense.

As laterais também estavam uma negação com Iranilson, que já não é grande coisa na direita, jogando na esquerda e Felipinho se esforçando na direita depois de longo inverno. Também não anima saber que o conserto seria jogar Iranilson para a direita e colocar Felipe Cruz na esquerda e nem que depois Roni entraria no lugar de Iranilson. Dureza.

Esquerdinha sem inspiração deu lugar a Patrick Alan. Aí já sabemos que nada poderia mesmo dar certo para o América. Restava torcer para que também não desse certo para o Campinense, como de fato não deu.

Ou deu certo para todo mundo. O Campinense queria decidir em casa. Vai. O América apostava que a decisão seria mesmo no segundo jogo. Vai ser também. Ou teremos um dos dois justificando acertadamente suas escolhas com uma vitória no segundo jogo ou vamos todos acompanhar a loteria dos pênaltis.

No caso do América, é preciso acrescentar que o goleiro Samuel Pires levou o 3.° amarelo e não joga a partida de volta. Nem nos mais bem sucedidos filmes de terror alguém deixaria o gol americano em tal situação logo na partida mais decisiva da temporada.

A torcida americana também pode começar a secretamente, sem muito alarde, torcer para que o arquirrival ABC obtenha sucesso diante do Caxias. É que se tudo der errado em Campina Grande na próxima semana, o que, convenhamos, pelo desnível técnico demonstrado em todos os confrontos América x Campinense nesta competição não é nada improvável de acontecer, o América amargará a primeira temporada sem série em sua história centenária, a menos que o alvinegro carimbe sua passagem para a Série C, o que deixaria o alvirrubro garantido na D vindoura.

Pior (ou melhor, quem sabe?) é que o América joga a última partida do sábado e o ABC joga a última partida dos dois domingos de decisão. Ou seja, o suspense do filme de terror do Mecão é daqueles bem insuportáveis, de quase fazer a pessoa dar pausa para conseguir respirar. Que sofrimento! Que pelo menos ele valha a pena...