domingo, 21 de outubro de 2018

Quando vamos superar?

A pergunta, além de pertinente, é preocupante. A angústia de não ter uma resposta traz um agravante - vamos superar?

Refiro-me a essa onda louca que transformou jornalistas e órgãos de imprensa em mentirosos contumazes e aquela mensagem escrita ou em vídeo encaminhada por números mil no WhatsApp em verdade absoluta, inabalável. 

Os Estados Unidos ainda não se encontraram a esse respeito. Desde a campanha que elegeu Donald Trump, que, sem o menor dos escrúpulos, defenestra os profissionais da imprensa que ousam publicar qualquer verdade que lhe cause desgosto, os americanos não sabem mais o que é paz. A divisão estimulada pelo chefe da nação já ameaça aquela que é tida como a maior democracia do mundo.

O roteiro segue aplicação exata no Brasil. A única exceção é que lá, Donald Trump não se recusou a comparecer a debates para se escorar apenas numa rede clandestina de ataques virulentos ao gosto de Steve Bannon e Cambridge Analytica. Aqui, Jair Bolsonaro segue confortavelmente subvertendo a democracia. As urnas são uma fraude, a eleição é uma fraude, debates são uma fraude. Dinheiro de caixa 2 (aquele que não é declarado à Justiça Eleitoral) para financiar impulsionamentos de mensagens pode. Fazer campanha em prédio público também pode. Negar o que disse, depois dizer de novo, e negar novamente também. 

No Brasil, impera o silêncio do candidato que lidera a campanha para a presidência a respeito de propostas concretas. Tanto dele como de seu vice e de seu guru econômico. A regra é evitar qualquer declaração sobre o que virá a partir de 2019 e que cause polêmica. Para que arriscar votos se o povo prefere a ilusão do salvador da pátria? Se o que basta é apenas aquele ser mitológico receber a faixa presidencial e tudo estará resolvido? (Isso lembra alguém?)

Vejo gente dizer, com alegria, que a programação de TV, especialmente da Globo, não será mais como tem sido. Outros propagam o fechamento de jornais, como a Folha de S.Paulo. Ou seja, defendem com entusiasmo a censura. Acham que há espaço no Século XXI para uma volta a 1964.

Outros defendem que uma religião determine o modo de viver de todos os cidadãos, sejam eles adeptos ou não daquela seita. 

Há também os que sonham com um país em que cada cidadão tenha uma arma pronta a ser disparada sempre que seu detentor entenda estar em perigo, o que pode acontecer no trânsito, no meio da rua, numa festa, dentro de casa. Talvez até no meio do sono.

Não consigo entender o que leva uma pessoa a acreditar que ter uma arma é proteção. Um fuzileiro naval da reserva tinha duas e foi morto nessa semana dentro de casa no RN. Levaram as armas. O próprio Bolsonaro estava arrodeado de gente armada e ainda assim foi esfaqueado.

Não temos mais discussões. A qualquer argumento contrário, basta disparar "fake news". "Mas foi o seu candidato que falou isso em entrevista ao vivo!". "Montagem, truncagem, mentira, mídia vendida, gente que vive do dinheiro desviado da Lei Rouanet.

E assim, a desfaçatez do discurso dito e negado. A clareza do jogo sujo. A verdade da mentira ou a mentira da verdade. 

Como ou quando superaremos isso? Superaremos? Queremos superar?

Livros, jornais, revistas, canais de TV, estações de rádio, todos fadados a uma insana fogueira inquisitorial.

Ah, mas isso não começou agora. Não mesmo. Essas coisas começam devagarinho. Às vezes até achamos engraçadinhas quando vêm do lado que apoiamos. O problema é que tais coisas crescem sem anteparos e terminam por nos engolir a todos.

Como voltaremos a ser uma democracia plena em que a liberdade de expressão seja respeitada, e também respeite a dignidade da pessoa humana, e seja defendida até por quem não concorda com o que está sendo dito, como tão sabiamente Voltaire pregava?

Quando olharemos para os nossos próximos sem receio, mas com compaixão pela dor alheia?

Quando entendermos que esse mundo virtual não nos dá licença para a selvageria desmedida e que faz com que sejam ditas, ou escritas, coisas que jamais seriam faladas cara a cara?

Libertar-nos-emos desse hipnótico mundo virtual que nos afasta da realidade e nos joga em bolhas intransponíveis?

Temo dizer aqui que não vislumbro resposta a tais perguntas. E sei que muitos como eu vivem uma angústia que não passa pelos rumos que estamos tomando como civilização.

O que nos resta é tentar manter o mínimo de lucidez, de sanidade mental, para não sermos tragados de vez para dentro dessa bolha. 

A humanidade tem que superar esse apocalipse da consciência. Se assim não for, abriremos mão de toda a evolução iluminista em nome de conhecimento raso, rápido e absolutamente enganador. Será o fim, não de uma geração, ou de uma nação, mas da humanidade como projeto em constante evolução. E o famoso livre arbítrio nos fará abrir mão da racionalidade e escolhermos voluntariamente a irracionalidade, irmanando-nos com os animais tidos como menos evoluídos. Que triste fim!

Podcast: Primeiros sinais

A temporada 2019 começa a mostrar seus primeiros sinais aqui no RN.


Manchetes do dia (21/10)

A manchete do bem: PF vai investigar notícias falsas a pedido do TSE e PGE.

As outras: Câncer: número de mortes triplica em 15 anos no RN, TV União faz proposta para transmitir o Campeonato Estadual 2019 e Mostra Senai de Arquitetura aborda soluções baratas para decorar a casa.

Bom domingo, minha gente!

Fonte: Tribuna do Norte

Today's headlines (10/21)

The headline for good: Immune-based treatment helps fight aggressive breast cancer, study finds.

The others: Saudis' image makers: a troll army and a Twitter insider, Afghanistan votes for parliament under shadow of violence and Stone Mountain: the largest Confederate monument problem in the world.

Good morning, everyone!

Source: The New York Times

sábado, 20 de outubro de 2018

Podcast: Cilada

A cilada em que nós nos metemos nestas eleições.


Podcast às 15h

O Podcast de ontem, sobre assuntos variados, e que ficou para hoje, vai ao ar às 15h.

Até lá.

Manchetes do dia (20/10)

A manchete do bem: Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu Nacional.

As outras: Governo saudita confirma morte de jornalista Jamal Khashoggi, TSE deve anunciar medidas contra fake news e TCE alerta governador por alto gasto com pessoal.

Bom dia a todos!

Fonte: Tribuna do Norte

Today's headlines (10/20)

The headline for good: In 2020, Democrats expect a female front-runner. Or three.

The others: Disinformation spreads on WhatsApp ahead of Brazilian election, Saudi Arabia says Jamal Khashoggi was killed in Consulate fight and Elton John stays fleshy on the long road to farewell.

Good morning, everyone!

Source: The New York Times

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Podcast amanhã

Excepcionalmente o Podcast de hoje sobre assuntos variados vai ficar para amanhã à tarde, muito provavelmente às 15h.

Até lá.

Manchetes do dia (19/10)

A manchete do bem: Aquecimento global é tema de encontro.

As outras: No RN, Exército investiga caso de intolerância política em alistamento, 13.° salário vai aquecer economia com R$ 211 bilhões e Ex-comandante da PMRN foi assaltado e registra boletim de ocorrência (e as armas?).

Bom dia, minha gente!

Fonte: Tribuna do Norte