domingo, 20 de janeiro de 2019

Lacônico

Evidentemente chateado com ABC 3x0 América, o técnico do América Luizinho Lopes economizou palavras na entrevista coletiva pós jogo.

O que deu errado
Na verdade, tem dia que é noite no futebol. Hoje foi noite para a gente. Deu tudo errado. 

Mérito do ABC
Hoje foi mais mérito do adversário. O adversário fez por merecer e venceu a partida.

Trabalhar com as consequências
Isso é um jogo. E o jogo pode ser virado, pode ser mudado, como foi no ano passado. No ano passado, aconteceu o América ganhando de 3x0, depois o ABC virou o jogo. Vamos ver se a gente consegue virar o jogo.

Falta paciência mesmo

E como falta! Falar de um clássico no RN envolve tanta coisa que vira um suplício.

É preciso falar desse jeito louco que dirigentes daqui arranjam para motivar o torcedor, com acusações de bastidores que desacreditam qualquer desempenho em campo.

Também é preciso falar da falta de vontade ou competência para devolver o clássico para as torcidas verdadeiras - as famílias - que tão somente querem ver seu time em campo e não estão nada interessadas em hino da torcida tal, aliança com a torcida qual, tocaias, bombas e assemelhados.

É preciso falar das cenas bestiais de bombas jogadas dentro e fora do estádio, como se um clássico fosse um evento bélico, uma guerra. Mas aqui, além da falta de paciência, sobra a vergonha alheia pela repetição ultrajante dessas cenas de horror.

É preciso falar de uma federação que insiste no não-marketing e agora se empenhou em tirar os jogos das TVs dos clubes, matando de vez qualquer chance de exposição do futebol de um estado que os grandes centros nem têm certeza de onde fica.

Por tudo acima, hoje eu não vi o clássico, mas ouvi, quando possível, a narração de Marcos Lopes e vi comentários do pessoal no Twitter. 

E aí falta paciência mesmo para comentar mais uma derrota do América num clássico no estilo "além de queda, coice". Logo quando eu havia comemorado a mudança de postura do América ao perder um jogador na partida anterior e ter amarrado o Potiguar.

Pelo que ouvi, o América não conseguiu amarrar o jogo em momento algum, o que lhe seria vantajoso, ainda que todo mundo insista em apontar equilíbrio no 1.º tempo. Teria o América acreditado demais que a instabilidade do ABC por reformulação na equipe não o atingiria? 

Reclama-se de um gol anulado por impedimento. Falta paciência para comentar sobre isso em todos os sentidos.

Houve um golaço de Xavier para esfriar de vez o América. 

E quando o 3.º gol do ABC trazia uma ruma de lembranças maravilhosas para a torcida alvinegra e terríveis para a torcida alvirrubra, Jean Patrick sofreu um pênalti. Poderia ser uma tímida reação. Poderia. Mas Max e seu histórico de pênaltis contra o ABC trataram de enterrar qualquer ânimo.

O que se viu em campo a partir daí, pelo que ouvi, foi um time carregando 300kg nas costas, 100kg por cada gol sofrido. Não levou mais porque Gledson não deixou.

A torcida fez uma lista enorme de problemas do América: a zaga, seja quem for que esteja de titular, os laterais Vinícius e Diego, o volante Galiardo, lentidão/ausência de Adenilson, a inoperância de Fabinho Alves, o tempo esgotado de Max, a média de idade do time, os preparadores físicos do América, o 4-3-3 de Luizinho e, claro, o próprio Luizinho.

Falta paciência. Esperado. Basta olhar para os números do América nos últimos clássicos para entender a situação. O abecedista Marcelo apontou que, nas últimas 5 partidas no Frasqueirão, o América tomou 14 gols e só marcou 1.

Mas é preciso olhar para os últimos anos para não repetir o padrão que trouxe o América até aqui. Com mais 2 rodadas, Luizinho vai chegar ao limite em que Leandro Campos, Felipe Surian e Pachequinho chegaram e dançaram nos últimos estaduais. Ele e Felipe Surian, nesta ordem, foram os que mais tiveram equipes feitas a partir do zero. O América precisa ganhar um padrão no estadual e daí sair para contratações pontuais para buscar o difícil acesso na Série D. Pontuais aqui deve ser entendido como aquelas contratações com cacife para a titularidade, sejam 5 ou 11, cheguem elas ainda no estadual ou não.

Se o troca-troca de técnicos, principalmente,  e de jogadores não funcionou, é chegada a hora de apostar na estabilidade. E apostar na estabilidade só se verifica na hora da adversidade. Porque manter o rumo nas vitórias não é aposta, é osmose.

Certamente ficam lições de mais um clássico perdido por placar elástico, mas não é o impulso de mudar tudo num estalar de dedos que vai retirar o América do buraco em que ele se enfiou ainda mais profundamente a partir de 2016. E é bom não esquecer que a luta do América hoje é mais embaixo do que a do ABC. 

Enfim, se o América vive sob pressão, essa se tornou quase insuportável hoje. Luizinho e Eduardo Rocha agora carregam não só 300kg, mas o mundo nas costas. 

Desejo sabedoria e resiliência aos dois para aguentar o tranco e enxergar o que de fato é erro, seja tático, técnico ou de nível de jogador mesmo, seja de comprometimento ou de habilidade, o que é superioridade do adversário, e o que recai na instabilidade de início de temporada. 

Sobre o clássico, um público de 6.781 pessoas mostra bem o que se tem feito a respeito dele nos últimos tempos. Mas os dirigentes daqui parecem todos num desafio estilo Bird Box, sem poder retirar a venda que lhes cobre os olhos nem por um segundinho sequer.

Com ou sem paciência, o limite de erros permitidos ao América no 1.º turno se esgotou. E na quinta-feira só lhe resta vencer o Palmeira para seguir pensando na final do turno. É bom lembrar que foi contra esse mesmo Palmeira que o ABC também esgotou sua cota de derrotas. 

O fio da navalha chegou cedo, como sempre. Convém não escorregar. 

Podcast: Clássico decisivo

O que esperar de ABC x América no Frasqueirão. 


Atraso no Podcast

Um pouquinho atrasado, mas já, já teremos o Podcast com tudo sobre o clássico. Provavelmente às 10h30.

Até lá.

Manchetes do dia (20/1)

A manchete do bem: Clássico ganha clima de decisão hoje no Frasqueirão.

As outras: Morre Hélio Câmara, ícone do rádio esportivo potiguar, Orçamento aponta queda de 35% dos recursos para investimentos e Crise desacelera abertura de novas empresas no RN em 2018.

Bom domingo, minha gente!

Fonte: Tribuna do Norte 

Today's headlines (1/20)

The headline for good: The Met Opera has a gay conductor. Yes, that matters.

The others: Winter storms makes travel treacherous and is expected to worsen as it moves east, It's no. 1 vs the one and only as Halep gets set to play Serena Williams, and Glaciers are retreating. Millions rely on their water.

Good morning, everyone!

Source: The New York Times 

sábado, 19 de janeiro de 2019

A narração inesquecível

Hélio Câmara se foi. A notícia foi dada pelo América agora de manhã pelo Twitter. O Super Hélio foi durante muito tempo sinônimo do rádio esportivo norte-rio-grandense. Já estava aposentado, é verdade, mas era dono de uma voz e de um estilo inconfundíveis.

Hélio narrou grandes momentos do futebol potiguar. Um deles não sai da cabeça de ninguém e ainda hoje arrepia os torcedores americanos: a inesquecível narração (vídeo abaixo) do gol de cabeça de Carlos Mota aos 47 minutos do 2.º tempo contra o União São João no Machadão na Série B de 1996, que viria a colocar o América na História como o único clube do RN a conquistar um acesso para a elite da Série A.

Morre o homem, fica o mito. Força à família.



P.S.: alertada por Alexandre, corrigi o adversário, que era o União São João. De fato, contra o Náutico, foi aquele golaço de Zé Ivaldo, que os pernambucanos apelidaram de gol espírita.

Desde Al Capone

Ontem no finzinho da tarde, o Paramount Channel exibiu Os Intocáveis, filmaço de mais de duas décadas de idade que mostra a luta do agente Eliot Ness para fazer com que a lei fosse aplicada ao bandido Al Capone na Chicago dos anos 1930.

Capone era um traficante de... bebidas. Sim, bebidas alcoólicas eram proibidas nos EUA, mas a cidade de Chicago tinha bebida para todos os lados pelo domínio exercido por Al Capone. O cara tinha na sua lista de propinas juízes, policiais, políticos...

O filme de Brian de Palma conta com atuações memoráveis de Kevin Costner, Sean Connery e, claro, Robert de Niro, que consegue colocar um terror no olhar típico dos mais frios bandidos.

Em Miami, um passeio turístico pelo rio que banha a cidade revela a casinha de veraneio que o chefão do tráfico tinha na cidade.

No fim das contas, desculpem o spoiler, mas como são fatos reais, isso é inevitável, Ness consegue encarcerar Capone por sonegação de impostos (sim, isso.dá cadeia mesmo nos EUA). Nada de tráfico ou dos muitos homicídios perpetrados para manter o tráfico. Foi a rota do dinheiro e a prisão de um contador que tirou Al Capone de circulação.

Mais à frente, enxergou-se o óbvio: a luta contra o tráfico de bebidas era inútil se a população - dos pobres ao ricos - insistia em consumir. Muito dinheiro e vidas perdidos em vão. A venda e o consumo de bebidas alcoólicas foram legalizados.

A história deixa então várias lições para a humanidade em geral. A primeira delas é que basta seguir o dinheiro para desmantelar esquemas criminosos. No Brasil do século 21, enfim, o Estado que investiga aprendeu isso, vide todos os casos envolvendo de alguma forma a presidência da República, desde o Mensalão até o atual Queiroz.

A segunda ainda não foi aprendida. A melhor luta contra o tráfico de algo utilizado indistintamente pela população não é a proibição, mas sim a legalização. A luta - perdida, diga-se de passagem - deixa de ser um dreno de recursos de segurança e saúde, e até de vidas, e passa a ser fonte de arrecadação para o Estado, que pode, então, canalizar muito mais recursos para realmente servir à população. Foi assim com o álcool e com o cigarro. Por que insistir no erro em relação ao que se chama hoje de entorpecentes?

Os Intocáveis traz uma pergunta constatação: Qual a diferença mesmo entre a Chicago do começo do século 20 e o Rio de Janeiro do começo do século 21, isso para ficar somente em dois ícones de cada país?

Quanto mais rápido enxergarmos, mais rápido voltaremos a ter uma vida minimamente civilizada.

Manchetes do dia (19/1)

A manchete do bem: Duas estudantes do RN tiram nota mil no Enem.

As outras: 71 cidades do RN já registram chuvas acima do normal, MP investiga credenciamento de empresas no Detran/RN e Compositor de 'Fio de Cabelo', Marciano morre aos 67 anos.

Bom dia, minha gente!

Fonte: Tribuna do Norte 

Today's headlines (1/19)

The headline for good: Trump and Kim Jong-un to hold second summit meeting next month.

The others: House Democrats add $1 billion in border-related spending to measures to reopen government, After a crash, Prince Philip, 97, stokes debate on older drivers, and Pipeline erupts in fiery explosion in Mexico, killing 21.

Good morning, everyone!

Source: The New York Times