quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Surpresa e decepção

Com o pretexto de ver uma amiga desfilar pela Marinha, voltei a um desfile militar aqui em Natal. Quer dizer, agora é cívico-militar.

Confesso que me surpreendi e me decepcionei. Fiquei surpresa com o número de pessoas que ainda comparecem ao desfile. Calor escorchante em Natal (estou com o pescoço queimado; tenho que me acostumar que agora estou de cabelo curto), e ainda assim muitas famílias acompanhavam a passagem de escolas e forças armadas. Também me surpreendi com o número de escolas que desfilaram. Perdi as contas.

A decepção veio por dois motivos. O primeiro por achar que a parte cívica do desfile deveria ser mais alegre, alegórica, quase escola de samba mesmo. O que vi foram pessoas, crianças e adolescentes em sua maioria, de cara amarrada, marchando, tais quais militares querendo intimidar inimigos. A independência de um país é motivo de alegria. E se é para as escolas imitarem os militares, nem precisam mais desfilar.

O segundo motivo ficou com os militares mesmo. Poucos grupamentos, poucos veículos, grandes espaços entre uns e outros. Enfim, o desfile nada lembrou a grandeza de outrora. Tanto que saí mais cedo, logo após a PM mostrar uns dois pelotões.

Também tive pena de alunos cujas escolas determinaram algumas fantasias abafadas e pretas. Gente, a cor preta é a pior para enfrentar o sol, pois é a que mais absorve o calor, desgastando muito mais quem desfila. Além disso, as roupas eram pesadas, dos pés à cabeça. Coitados desses alunos. 

Outras escolas tiverem bom senso e fizeram uniformes brancos, muito bonitos, por sinal.

Apesar de um desfile bem menor do que a tradição de minha época de criança, a interdição atingiu muito mais ruas e transformou a minha saída numa verdadeira batalha. Até agora não entendi a desproporção.

Quem sabe um dia não tenhamos um evento do tamanho que o nascimento de uma nação merece?

Tem estrela

Dizem que o trabalho de Tite começou na Olimpíada. Teria sido ele o conselheiro de Rogério Micale, dando orientações fundamentais para que a Seleção deslanchasse rumo ao ouro.

O que não se pode negar é que Tite tem estrela. Bastou ser anunciado e a Seleção Brasileira conquistou o inédito ouro em olimpíadas. Estreou e o Brasil engatou duas vitórias seguidas nas Eliminatórias, coisa que não acontecia há muito tempo. O Brasil subiu da sexta para a segunda colocação

Há quem diga que a safra não é ruim como se dizia. Alto lá! Perceberam quantos dessa nova formação estavam naquele papelão que foi a Copa 2014? O maior sinal de que a safra não é grande coisa é essa constante reformulação de 2010 para cá. A Seleção encontrou pelo menos um time a partir da Olimpíada. 

Outra coisa: é nessa situação de safra ruim que o trabalho do treinador é ainda mais exaltado. Se ele não souber organizar as coisas, o time não se firma nunca.

Com Tite o Brasil parece ter achado um time. E isso é um grande alento depois de anos de mediocridade.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Desafinado

O discurso já não anda tão afinado no América. Ontem, o técnico Diá afirmou que os treinamentos desta semana seriam fechados porque o treinador do Confiança Roberto Fernandes conhecia muito o América (uma justificativa que mais parece uma piada).

Hoje o atacante Luiz Eduardo negou que o motivo seja esse, conforme publicou o Globoesporte.com, e acrescentou:

"A gente quer levar o nosso nível de concentração ao máximo. Então, a diretoria e a comissão técnica optaram por fechar os treinos. A gente quer fechar ainda mais o grupo, porque temos jogadores ainda novos e se adaptando ao time. A gente treina para se aperfeiçoar e quando chegar no sábado, buscar a vitória. Já fechamos alguns treinos em outros momentos delicados e que a gente precisava de concentração. A comissão entendeu que o momento seria bom para fechar os treinos, para o grupo trabalhar mais forte ou treinar algumas situações que possam surgir. Tudo é válido e o intuito é sempre positivo na competição."

É bom lembrar que na final do estadual a diretoria determinou que os treinos fossem fechados. De todo jeito, é menos vexatório que o motivo tenha sido modificado, ainda que um jogador tenha desmentido o treinador.

Mas, cá para nós, isso mais parece uma precaução contra protestos de torcedores.

Greve na Série C

Os jogadores do River, primeiro rebaixado do grupo A da Série C 2016 ao perder por 2x0 para o ABC, anunciaram nesta terça que estão em greve até receberem pelo menos um dos três meses de salário em atraso.

A greve inclui a possibilidade de os jogadores não entrarem em campo para enfrentar Salgueiro e Cuiabá nas duas últimas rodadas da fase de classificação.

A situação do River pode ficar bem pior se perder uma partida por W.O.. É mais um caso daquela máxima: "além da queda, coice."

Six nothing

After beating St. Vincent and the Grenadines (6-0), the US Men's National Team is close to advancing to the final round of Concacaf qualifying of FIFA 2018 World Cup, which will take place from November 2016 to October 2017. 

Tonight's match against Trinidad and Tobago will determine the USMNT's future in the competition.

Tim Howard will be back as the goalkeeper Tonight.

See the highlights of the previous match, when the USMNT beat St. Vincent and the Grenadines, and the expectations for tonight's match.





ABC já está classificado

Sem ter como verificar as possibilidades dos confrontos das últimas rodadas do grupo A e apenas olhando para a pontuação, publiquei que o ABC ainda não estava classificado, embora pudesse garantir o primeiro lugar já na próxima rodada.

Conferindo agora com mais detalhes, de fato, o ABC foi a primeira equipe do grupo A a se garantir na próxima fase. Vejamos.

O ABC é o primeiro colocado com 28 pontos, 8 vitórias e saldo 9. Ele só perderia a vaga se todos os que estão entre o 2.° e o 5.° lugares pudessem superá-lo. 

Fortaleza e Botafogo-PB, que têm 26 pontos, superariam o ABC com apenas uma vitória, se o alvinegro não pontuasse mais. 

Já Remo e ASA, que têm 24 pontos, precisariam de 2 vitórias para superar o ABC, uma vez que este venceu 8 partidas e aqueles, 6.

Nas duas últimas rodadas, temos os seguintes confrontos envolvendo essas equipes: na penúltima, Fortaleza x Remo, ASA x Botafogo-PB; na última, ABC x ASA, Remo x América, Botafogo-PB x Fortaleza.

Percebam que o fato de Botafogo-PB e Fortaleza se enfrentarem na última rodada impede o que se chama tempestade perfeita contra o ABC: Remo e ASA venceram as duas rodadas e Botafogo-PB e Fortaleza vencerem na última. Essa seria a única configuração a tirar a vaga do alvinegro.

Ou seja, o ABC agora vai se dar ao luxo de escolher sua posição e até, quem sabe, dependendo do grupo B, o adversário da próxima fase. 

São duas rodadas para Geninho montar seu time para a disputa do ano: voltar para a Série B.

Planejamento passa por técnico

Há anos bato na tecla de que é preciso contratar um técnico com convicção. É ele quem vai montar o elenco, ainda que apenas indique as características que precisa nos jogadores a serem contratados. É ele quem vai estudar os adversários, montar a melhor estratégia e escalar os jogadores.

Pensei que o América havia superado essa fase também há anos. Desde 2011, a maior parte dos treinadores foi contratada com convicção. De cabeça, lembro de Flávio Araújo, Roberto Fernandes e Oliveira Canindé como exemplos de uma forte convicção. Esses treinadores só caíram depois de muitos resultados negativos. Flávio Araújo, por exemplo, só caiu porque entregou o cargo.

Essa continuidade traz estabilidade e economia para uma equipe de orçamento apertado, como tem sido o América nos últimos anos. Afinal, a cada troca, novas dispensas e contratações praticamente jogam o trabalho anterior no lixo e comprometem ainda mais os parcos recursos.

Já na eleição, Beto Santos dava mostras de que não entendia que um treinador deveria ser contratado por convicção. Aliás, ninguém, seja jogador, treinador, diretor... Segundo o então candidato, ninguém teria lugar cativo no América e quem não rendesse logo, rua.

Era claro que uma política assim não funcionaria. Olhem bem, escrevo isso antes do fim da fase de classificação da Série C 2016. O América ainda tem remotíssimas chances. A classificação pode cair do céu ainda. Só que é preciso apontar agora um novo caminho, porque se essa classificação vier, certamente os erros serão encobertos.

Como construir um trabalho que seja produtivo se o presidente contrata um profissional que teria sido (há controvérsias) treinador apenas no longíquo ano de 1993 num campeonato praticamente de várzea? E ainda se recusa a apontar a sua convicção no trabalho dessa criatura? 

O mundo todo sabia que seria apenas uma questão de rodadas para a queda do Guerreiro. Nem um turno do estadual completou. É assim que se planeja um acesso para a Série B numa Série C cada vez mais difícil?

Macuglia chegou e com ele, apesar de bom profissional, o fantasma de tudo o que ocorreu em 2009. Mais uma contratação do tipo "sarna para se coçar". Como o América sofreu! Nem da primeira fase passou na Copa do Nordeste.

Enquanto isso, nomes de ex-treinadores que eram lembrados ao presidente eram solenemente desprezados: Roberto Fernandes e Flávio Araújo eram muito caros; sobre Oliveira Canindé, talvez em outra oportunidade (só para constar, Oliveira acabou de subir com o CSA. Ele perdeu o estadual para o rival CRB, mas foi mantido). Melhor mesmo foi abrir mão de uma preparação para a Série C que vinha chegando e do bicampeonato estadual para esperar um treinador que mais parecia aqueles anúncios sobre fiado nas velhas bodegas: "só amanhã". E esse amanhã nunca chegava.

Mas a Série C chegou. E com ela mandou-se um tal cheiro de podridão dos vestiários embora. Será? A convicção agora era o treinador que acabou em 7.° lugar no grupo A do ano passado - forte indicativo do destino americano. Um novo elenco. Duas vitórias. Mas o que se faz sem convicção não dura. E Sérgio China caiu com 6 rodadas.

Veio Diá, que não era o favorito, mas virou sonho de consumo desde o meio do estadual. O próprio treinador tirou sua carta de garantia: "o meu forte é montar equipes." Mas o campeonato já havia começado. Entretanto, contratações e dispensas seguem diuturnamente. Agora foi Brendo emprestado. Chegaram à conclusão de que Caaporã é mais valioso no elenco.

A convicção em Diá veio na hora errada. A menos que o América já o visse como treinador para 2017. Só isso justificaria o que vem ocorrendo. Porém nem tudo é tão óbvio no América. Diá deu entrevista dizendo que não sabe se fica em 2017.

Beto Santos ainda tem um ano, pelo menos, de administração. Será que aprendeu com as cabeçadas deste ano? Será que a desgraça de 2016 foi suficiente para ele entender que é preciso ter convicção no trabalho do treinador? Que o dinheiro gasto num bom treinador não é gasto, e sim investimento? Que montar pelo menos um time no estadual é economia na hora da Série C? Que a melhor estratégia é reforçar esse time do estadual e não anunciar que esse time não continuará para o Brasileiro?

Houve muitas outras lições neste ano: mais respeito ao sócio, mais carinho à torcida, que está sempre ali, pronta a atender o chamado do América...

Enfim, não há mágica no futebol, especialmente num futebol pobre como o do RN. O que me dói é a perspectiva de uma temporada horrorosa como a atual não ter servido nem para que se entenda como não se deve fazer futebol.

Haverá planejamento de verdade para 2017?

A piada do ano

A piada do ano é o América fechar os treinamentos porque vai enfrentar Roberto Fernandes. Alguém precisa ver o treinamento para saber que Diá vai mudar o time? Em 10 rodadas, ele só repetiu a escalação uma vez. Alguém precisa ver o treino para saber que ele treina uma coisa e escala outra? Alguém imagina que, morando em Natal, Roberto Fernandes nunca tenha visto pelo menos um vídeo do América de Diá?

Dizem que desculpa de amarelo é comer barro. Pois bem. Isso parece a desculpa perfeita de quem não quer ver a torcida pressionar o elenco, o que é correto, mas não tem coragem de dizer isso em alto e bom tom.

Um empate em América x Confiança livra o time de Diá da vergonha extrema de ser rebaixado para a Série D 2017. Uma vitória, se ASA, Remo e Cuiabá perderem, mantém chance igual à da Mega-Sena de classificação para a próxima fase.

Segue firme

O ABC segue firme para a classificação no grupo A. E mais: rumo à liderança e de forma antecipada.

Hoje o time de Geninho está com 28 pontos, 8 vitórias e saldo 9. Se vencer o Cuiabá na Arena Pantanal na próxima rodada e Fortaleza e Botafogo-PB não vencerem seus jogos, o ABC, além de se classificar, garante o primeiro lugar do grupo de forma antecipada e vai poder se dar ao luxo de descansar seus titulares contra o ASA no Frasqueirão pela última rodada classificatória.

Sobre o Uber

Na edição de sábado (página 2), a Tribuna do Norte trouxe um artigo de Thiago Guterres, procurador do Ministério Público de Contas e Mestre em Direito, Inovação e Tecnologia, a respeito da regulamentação do Uber. Achei a opinião do procurador interessante e com alguns aspectos bem diferentes do que vem sendo abordado pela imprensa em geral, Por isso, compartilho aqui o artigo. Vale a leitura.

A péssima ideia de regulamentar a Uber
Por Thiago Guterres

Em 1914, um vendedor de carros de Los Angeles chamado L. P. Draper teve uma ideia. Ao ver os bondes elétricos lotados e as longas filas de espera no centro da cidade, ele pensou em pegar seu próprio automóvel e sair pelas ruas anunciando caronas pelo preço fixo de 5 centavos. A alternativa logo se mostrou mais vantajosa para os usuários dos bondes, que até então monopolizavam o sistema de transporte público da cidade. E assim surgiram os Jitneys (gíria para a moedinha de 5 cents).

Apenas um ano depois, os Jitneys já estavam em mais de 40 cidades dos EUA. Só em Los Angeles, havia 700 veículos que faziam, em média, 150 mil corridas por dia. Para se ter esse número em perspectiva, a Uber realiza, nos dias de hoje, cerca de 157 mil corridas na mesma cidade,

Obviamente, os donos dos bondes não ficaram satisfeitos com os novos concorrentes. Politicamente influentes, começaram a defender a regulamentação dos Jitneys como forma de conter sua expansão. Entre exigências ridículas e caras (como mínimo de horas de trabalho e a fixação de rotas fixas e não lucrativas), as regulamentações foram pouco a pouco sufocando os Jitneys por todo o país até sua virtual extinção ao final da década.

Cem anos depois, a história se repete com a Uber, o aplicativo que permite que qualquer pessoa possa trabalhar como motorista. Taxistas do mundo inteiro pedem por sua proibição ou rigorosa regulamentação. No Brasil, como a tentativa de proibir o aplicativo vem sendo rechaçada pelo Judiciário, vai ganhando força a ideia de regulamentar.

O que muita gente não consegue perceber é que toda regulamentação vem com uma boa dose de proibição. As inúmeras exigências só dificultam a entrada de novos concorrentes e encarecem o serviço para o consumidor. E nem sempre isso significa aumento da qualidade do serviço. Uber, Netflix e WhatsApp são todos serviços desregulados com altos níveis de satisfação de seus usuários. Não se pode dizer o mesmo dos congêneres devidamente regulamentados, como táxis, serviços de TV a cabo e operadoras de telefonia. Em mercados competitivos, é o medo de perder o cliente, e não uma lei, que faz o serviço melhorar.

A falta de lei também não implica em ausência de regras mínimas de qualidade e segurança. A Uber é um exemplo disso. A empresa tem um sistema de checagem de antecedentes criminais dos motoristas e um código de conduta com tolerância zero para comportamentos discriminatórios ou abusivos. Além disso, os clientes dispõem de um sistema de avaliação e reputação que exige dos motoristas bons serviços constantes, sob pena de suspensão de plataforma. Por isso, os motoristas da Uber se preocupam tanto em abrir a porta do carro, oferecer água e balas e perguntar se o cliente está satisfeito com a temperatura do ar. Tudo isso sem que nenhuma lei obrigue.

Mas o maior perigo da regulamentação é a eventual proibição ou restrição do compartilhamento de carona, algo que a Uber já oferece em algumas cidades com o UberPool. Outros serviços, como Cabify, Blablacar, Fleety e Bora, desenvolvem no país modelos similares para o transporte individual e coletivo, tanto intermunicipal como interurbano. O compartilhamento de caronas é fundamental para termos um número maior de pessoas circulando em menos carros, o que, por sua vez, é crucial para o futuro de nossas cidades.

Alguns historiadores econômicos consideram que o desaparecimento dos Jitneys em decorrência das regulamentações contribuiu significativamente para o modelo de urbanismo que prevaleceu posteriormente, orientado para o automóvel individual. As atuais tecnologias nos oferecem uma oportunidade para correção desse modelo, responsável pelo caos de trânsito e poluição em que vivemos. Mas precisaremos repensar as regulamentações existentes e rechaçar as atuais tentativas de restringir o uso de soluções tecnológicas para mobilidade urbana.