É bem verdade que o espetáculo deprimente que o futebol masculino brasileiro virou contribuiu muito para o meu mau humor com as Copas já a partir de 2014. Dirigentes de mau a pior em TODOS os aspectos, falta de um mínimo de planejamento dos times, jogadores mais preocupados com o próximo vídeo no TikTok... Da CBF para baixo, quase nada se salva (desculpem, preciso acrescentar a organização que Leila Pereira forçou no que esteve ao seu alcance).
Neste ano, parecia que a contratação de um técnico não acostumado às mazelas do futebol no Brasil poderia começar a corrigir o rumo. Se um ano para um clube já não é muito, imagine para uma seleção que se reúne poucas vezes por ano. Mas Carlo Ancelotti tropeçou na hora H, a da convocação. Como se fosse um brasileiro aqui formado, cedeu à pressão de dirigentes, bets, veículos de comunicação preocupados com seus anunciantes, e levou um jogador que joga mais pedra na lua do que futebol nos últimos anos, sendo manchete pelos seus péssimos exemplos dentro e fora de campo, não mais por algum feito especial em relação à bola.
Fomos obrigadas e obrigados a acompanhar três espetáculos deprimentes às vésperas da Copa 2026: o queridinho da pressão agredir um jovem companheiro de equipe, um chilique teatral para esconder que uma substituição ocorrera por lesão para não espantar de vez qualquer chance de convocação e um evento brega, para produzir cliques em TikToks, Instagrams e assemelhados, para o sempre tão esperado momento do anúncio dos escolhidos.
Já na Copa, também fomos obrigadas e obrigados a saber que o presidente da CBF estava mais preocupado em anunciar que estava "pegando" uma atleta da seleção feminina (assédio sexual passou longe, pelo jeito) e em separar na Copa a sede em que hospedaria sua esposa e a sede em que hospedaria sua amante. Olhem a que nível reptício chegaram os dirigentes do futebol brasileiro em geral - o da CBF é só mais um dos "parças".
Deixando o Brasil de lado, vamos para a Fifa, outra lástima. Em nome de muito dinheiro, empurrou eventos em países que discriminam oficialmente mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, como Rússia e Catar, e agora inventou uma Copa dividida em 3 países (serão 6 na próxima, já que as partidas inaugurais de determinadas seleções serão disputadas em outros 3 países). Canadá e México tiveram que aguentar uma versão republiqueta dos Estados Unidos, com direito a impedir que uma seleção (Irã) se hospede e treine no país e a telefonema de Trump a Infantino determinando que seja revertida a suspensão por expulsão do artilheiro americano, assim, na maior cara lavada. A Fifa nem pronuncia.
Aliás, quando o presidente da Fifa foi entrevistado após Cabo Verde 2x3 Argentina, ele assumiu que o coração dele estava na torcida pela Argentina. Uma declaração tão aberta como essa esclarece muito porque nem o VAR não expulsou Messi na partida inaugural, nem a própria Fifa não suspendeu o argentino após as imagens da agressão (lembram de Rivaldo em 2002 sendo suspenso porque as imagens mostraram que ele simulou uma agressão no jogo contra a Turquia e de Soares deixando a Copa 2014 porque as imagens mostraram a mordida dada em Chielini na Arena das Dunas?).
O VAR nesta Copa é um capítulo à parte. Logo na primeira imagem da equipe que cuidou do VAR no primeiro jogo, eis que um árbitro fez um gesto "apito de cachorro" para a turminha supremacista branca. A Fifa teve a cara de pau de dizer que foi um gesto involuntário e mandou mudar a forma de exibir as equipes do VAR, na velha anedota de que a culpa do adultério é do sofá...
No decorrer da competição, pode ser mera coincidência, mas é nítido que o VAR é mais atuante em prol dos times da mesma marca esportiva que patrocina o evento da Fifa e bem mais preguiçoso em prol dos outros.
Nessa mesma linha, ainda sobre a Argentina, no jogo contra Cabo Verde, até uma cobrança de falta sem apito do árbitro, só um olhar de autorização trocado entre Messi e ele, foi realizada ainda com a barreira sendo montada pelo goleiro Vozinha. A providência do árbitro foi pedir desculpas depois da reclamação de Vozinha ao praticar um milagre. Ridículo. Fora o fato de que um jogador de Cabo Verde fora chutado no ataque para perder a bola para o adversário na cara do mundo inteiro e nem o árbitro, nem o VAR viram. Não ficaria bem a atual campeã, ainda por cima com a mesma patrocinadora da Copa, ser eliminada por um estreante em Copas patrocinado pela Capelli Sports ou algo que o valha, não é mesmo?
Enfim, a cada Copa, parece que o nível da vergonha, própria ou alheia, só aumenta. Hoje eu denomino a Copa 2026 como a Copa da Vergonha, mas só Jesus sabe o que nos espera em 2030...
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