sábado, 19 de março de 2022

Pressão de cima


Eu me embrenhei nos últimos dias na leitura de, dentre outros livros (sim, leio uns 4 ou 5 de assuntos diferentes ao mesmo tempo), 1914 1918: A História da Primeira Guerra Mundial, de David Stevenson, que é professor de História Internacional na London School of Economics and Political Science. A obra tem 4 volumes e eu terminei agora o 1.° deles, com título A Deflagração.


Há muitas observações sobre erros, medos, acasos na preparação de cada um dos envolvidos, com detalhes sobre quantidades de armamento e até de perdas (mortes, baixas por ferimento e prisões). A cada página, a gente vai confirmando a idiotice de quem vive a planejar e executar uma guerra, especialmente quem pretende dar início a ela.

Em vez de comentar sobre o livro em si, que é um pouco mais técnico do que o esperado, mas nada que desabone sua leitura, eu prefiro transcrever uma passagem que retrata algo muito ressaltado sobre a primeira das grandes guerras, e que aparece nas páginas 150 e 151, mostrando como o alto comando é divorciado de quem realmente dá a cara para bater:

No meio dessa carnificina, ocorreu um dos momentos mais pungentes da guerra, a Trégua de Natal de 1914. No dia 24 de dezembro, árvores de Natal iluminadas apareceram nas trincheiras alemãs em Flandres, e ambos os lados entoaram hinos. Na manhã do Natal, soldados britânicos e alemães se reuniram em terreno neutro, conversaram, fumaram, jogaram futebol, posaram para fotografias e enterraram seus mortos. Muitas vezes, o cessar-fogo se estendia por vários dias, até ser interrompido (com pedidos de desculpa das unidades em ação) por insistência dos altos-comandos, que garantiam que, nos Natais subsequentes, aquilo aconteceria menos frequência, se é que voltaria a acontecer. O episódio parece demonstrar a ausência de rancor entre muitos soldados da linha de frente que - agora que os impetuosos primeiros dias haviam passado - se encontravam presos numa máquina de matar por uma pressão que vinha de cima. Tréguas não oficiais e acordos tácitos para moderar a violência continuavam a caracterizar a Frente Ocidental durante 1915, no setor francês (onde a Trégua de Natal foi menos predominante) e também no britânico. 

Manchetes do dia (19/3)

A manchete do bem: 
  • Psicólogos e suas sessões de terapia lotam de 'Um Lugar ao Sol' a livros e o streaming
As outras: 
  • Rússia diz ter usado mísseis hipersônicos no oeste da Ucrânia
  • Campanha de vacinação contra a gripe começa no dia 4 de abril
  • Governo diz que não tem como baixar preço de alimento
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (3/19)

The headline for good: 
  • Bringing personal finance to the classroom for Generation Z
The others: 
  • As offices open and mask mandates drop, some anxieties set in
  • Fatal Texas wildfire forces evavuations and destroys 50 homes
  • Lawsuit accuses Google of bias agaisnt black employees
Good morning.

Source: The New York Times

sexta-feira, 18 de março de 2022

Manchetes do dia (18/3)

A manchete do bem: 
  • Nova associação vai custear defesa em ações contra liberdade de expressão
As outras: 
  • Americano que tentou vender segredo militar ao Brasil entregou dados em sanduíche
  • Economia está estagnada há quatro anos e culpa não é da Covid e de Putin
  • Renato Kalil volta a depor e declara que mulher tentou o suicídio várias vezes
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (3/18)

The headline for good: 
  • Citigroup will pay travel cost ls for employee abortions in response to Texas law.
The others: 
  • Gig workers say high gas prices may be a breaking point
  • A gender revolution is brewing in New Zealand rugby
  • For car designers, E.V.s offer a black canvas
Good morning.

Source: The New York Times

quinta-feira, 17 de março de 2022

Manchetes do dia (17/3)

A manchete do bem: 
  • Movimento 'No Code' quer tornar inteligência artificial acessível para todos
As outras: 
  • Projeto de mineração em terra indígena é crime e chance perdida, dizem empresários
  • Supermercado tranca geladeira de carnes em São Paulo
  • BBB22: transmissão rende ao Multishow o recorde do ano na TV paga
Bom dia.

Fonte: The New York Times

Today's headlines (3/17)

The headline for good: 
  • Mercedes opens a battery plant in Alabama, part of a Southern wave.
The others: 
  • Warehouses transform N.Y.C. neighborhoods as e-commerce booms
  • Mass graves identified in Syria could hold evidence of war crimes
  • Powerful quake off Japan rekindles fears of another Fukushima
Good morning.

Source: The New York Times

quarta-feira, 16 de março de 2022

Manchetes do dia (16/3)

A manchete do bem: 
  • São Paulo vai instalar 2.556 câmeras corporais em policiais militares
As outras: 
  • 4.ª dose de vacina contra Covid é necessária, diz CEO da Pfizer
  • Campanha de vacinação contra a gripe começa no dia 4 de abril
  • Crossover entre Garfield e Turma da Mônica chega às bancas
Bom dia.

Fonte: Folha de S.Paulo

Today's headlines (3/16)

The headline for good: 
  • 'No code' brings the power of A.I. to the masses
The others: 
  • Submarine spy couple tried to sell nuclear secrets to Brazil
  • China's Covid lockdowns set to futher disrupt global supply chains
  • A year after Suez blockage, another Evergreen ship is mired in the Chesapeake
Good morning.

Source: The New York Times

terça-feira, 15 de março de 2022

O Senhor da Guerra

Quem viveu os anos 80/90 viu e ouviu Renato Russo e sua Legião Urbana criarem e cantarem músicas com a incrível característica de colocar o dedo na ferida, fosse ela uma ferida existencial, uma dor de cotovelo ou ferida social ou geopolítica. Não é à toa que essas músicas não perdem sua atualidade.

Este é o (triste) caso de A Canção do Senhor da Guerra, lançada no maravilhoso disco duplo (uma espécie de coletânea) Música p/ Acampamentos de 1992, que faz parte da minha preciosa (para mim, claro) coleção de CDs.

Fez sucesso como tudo que a banda lançou, mas nada como os hits Eduardo e Mônica, Tempo Perdido, Índios, etc.

Infelizmente o momento atual ainda pede reflexão sobre a tristeza de guerras que nunca nos abandonam e o porquê delas nunca nos abandonarem, venham de onde vierem.

Para reflexão em pleno ano 22 do Século 21, deixo abaixo a letra e dois vídeos - um com a gravação original (mais potente, na minha opinião) e outro que vale pela raridade de uma apresentação ao vivo em rádio e que traz no começo o próprio Renato Russo falando sobre a eterna atualidade da música.

A Canção do Senhor da Guerra

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
E já são tantas as crianças com arma na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
E aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria
Pra que exportar comida
Se as armas dão mais lucros na exportação?

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa, ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação

Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre
Que Deus está do lado de quem vai vencer

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa, ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belissímas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação

Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre
Que Deus está do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças...