domingo, 3 de maio de 2026

10 em firula

Para quem gosta de esporte de verdade, de futebol de verdade, América 0x0 Maguary doeu nos olhos.

É bem verdade que poderia ter sido uma goleada do América desde o 1.° tempo pelo domínio que teve do jogo diante de um adversário absolutamente entregue desde o minuto 0 (só ressuscitou já na parte final do 2.° tempo).

Só que futebol é coletivo, não canso de dizer, e o América hoje depende de um jogador que quer jogar sozinho, tipo aquele jogo de videogame famoso que você domina todos os macetes, mas começa a temporada numa equipe ruim de doer e aí você só marca gol com um jogador só, que faz a jogada inteira, e dribla o time todo do adversário. Ou seja, um jogador só contra o outro time inteiro. Assim é Alisson Taddei (ou acredita que é). É um jogador 10 em firula e quase 0 em coletividade e eficiência.

Que me desculpem se pareço ranzinza, mas é que sou do esporte coletivo e tenho horror a quem joga assim. Craque de verdade encontra outra pessoa do time melhor colocada, abre o jogo, faz o simples porque o simples na verdade não é para todo mundo. Também chama a responsabilidade e não passa boa parte do jogo arrastando a ponta das chuteiras em campo, de cabeça baixa ou de costas para as jogadas, como quem diz "isso não me pertence agora".

Fazer gol até a pessoa mais desalmada para o futebol um dia faz. Fazer um time jogar aí é para quem entende do riscado. É para quem domina a magia de descomplicar um jogo num mero toque ou até numa deixada de bola sem nem mesmo precisar encostar nela. E essa pessoa definitivamente não é Alisson Taddei. Daí eu vir alertando que não adianta achar que o América vai subir dependendo dele como camisa 10 titular. Não vai. 

Hoje, quando mais o América precisou dele para armar as partidas, ele se escondeu do jogo. Ou prendeu demais. Ou deu passe errado. Acertou uma assistência no 1.° tempo, é verdade. Mateus Régis incrivelmente perdeu. No mais, não ostenta futebol para jogar com a 10 que foi de Souza, de Moura, até de Arthur Maia... É um escárnio.

Aliás, sobre o time, se eu fosse manda-chuva do América, eu ia perguntar a todos (e depois, de um por um), se, de fato, eles queriam ganhar o jogo. Porque houve lance em que deixaram o time do Maguary passar por um, dois, três, quatro jogadores sem ninguém ter a coragem de fazer a falta. Houve lance simples em que goleiro e seus companheiros de defesa hesitaram sobre o que deveriam fazer, como se fosse início de temporada. Até jogador recém-contratado lançou a bola para ninguém do outro lado do campo em contra-ataque perigoso (o perigo terminou sendo a torcida morrer de ataque cardíaco mesmo). Uma displicência só. Poucos escaparam. Dentre os que escaparam destaco Copetti, os que vieram da base e Nicolas Lopo, a quem já fiz muitas críticas, mas hoje esteve muito acima de seus companheiros na vontade.

Insistir com jogador como titular que não corresponde prejudica demais a equipe. Tira a vontade de quem é reserva de mostrar serviço (Para que mostrar serviço se o titular só dá prejuízo e segue titular?) e acomoda o que nada está jogando (Para que se dedicar para melhorar se jogando nada ele segue de titular?). Fase ruim se cura no banco.

A pontuação ainda favorece o América, afinal, ele segue na liderança em pontos, atrás do ABC por critérios de desempate. Contratações chegaram (tarde demais, na minha opinião, tendo em vista já a queda de rendimento). Agora também só há uma competição em disputa e ela é a grande prioridade da temporada. Ranielle enfim terá uma semana cheia para treinar, tentar encaixar os contratados e botar pilha na galera acomodada na titularidade.

O que não dá é para ter a mesma ladainha de sempre pedindo cabeça de treinador. Não estamos mais nos anos 90. Futebol exige consistência. Ranielle pode e deve ser cobrado por suas escolhas, assim como a SAF em suas contratações. Daí a achar que trocar um treinador no meio da temporada vai dar um "gás" duradouro são outros quinhentos. Uma troca assim só traz prejuízo no longo prazo. O time ganha 2-3 partidas e depois acaba o encanto. É mais um tipo de firula. Alguns inocentes no setor Premium chegaram a clamar por isso. Ouvem o galo cantar, mas não sabem onde. É o mau costume dos tempos de antes da SAF e até do início dela. Que não volte mais a acontecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário